48 minutos a menos e milhões de empregos a mais
Neste primeiro de julho (de 2009), a Câmara Federal deu mais um passo rumo ao que seria mais uma atitude keynesiana: uma de suas comissões aprovou a redução da jornada de trabalho no Brasil de 44 para 40 horas semanais - trata-se da PEC 231-A/95. A priore, parece uma conquista apenas de pessoas já empregas que pretendem trabalhar menos.
Todavia, se olharmos mais a fundo, essa atitude toma dois desenrolares básicos: geração de milhões de empregos e encarecimento da produção. Observemos o exemplo prático:
Uma empresa fabricante de copos plásticos produz uma tonelada de descartáveis por semana: para tal, ela necessita de 440 horas de trabalho humano. Dada essa necessidade, à empresa basta ter 10 funcionários.
Porém, com a redução da carga horária para 40 horas semanais, os mesmos 10 funcionários terão obrigação legal de somarem apenas 400 horas de trabalho: para cobrir as 40 horas restantes, a empresa deverá contratar mais um funcionário para sua linha de montagem, totalizando 11.
Agora, imagine essa situação não em uma empresa de dez funcionários, mas em milhares de empresas com centenas ou milhares de funcionários.
Em primeiro plano, uma leitura é feita:
- cada antigo funcionário trabalhará 48 minutos a menos ao dia
Em segundo, outras duas leituras:
- um emprego a mais será gerado, arrancando alguém da fila do desempregro
- por outro lado, aumentarão os custos de produção das empresas
Em terceiro plano três são feitas, ainda mais audaciosas:
- com mais alguém sendo inserido em todo o ciclo de consumo, movimentará ainda mais a economia
- gerará maior pressão sobre o consumo de bens regressivos (de primeira necessidade, principalmente), justamente porque classe assalariada não sabe receber salário sem gastar (quase) tudo - ou até mais que tudo - atitude que pode levar à inflação de demanda
- a quantia que o empresariado gastará a mais com folha de pagamento provavelmente será repassada ao consumidor final, gerando uma inflação de custos de produção
O encarecimento da folha de pagamentos deverá ocorrer em boa parte das empresas. Teoricamente, as folhas salariais aumentariam em exatos 10% e o nível de empregos no Brasil também cresceria em exatos 10% - isso em ceteris paribus, se as condições mantivessem-se precisamente as mesmas.
Mas sabemos, muitas empresas ao invés de contrararem 10% a mais de funcionários, poderão tomar duas medidas:
- pagarão horas extras a seus funcionários já experientes
- simplesmente reduzirão seus horários de funcionamento
As empresas da segunda possibilidade são empresas sem exatidão em suas produções com relação ao tempo, quem sabe o setor de serviços (principalmente públicos) seja um exemplo.
Assim, o volume de empregos no Brasil poderá crescer em uma taxa próxima a 10% nos próximos meses: quem sabe 3%, quem sabe 5%, quem sabe 7%. Sem falar nos empregos indiretos, que costumam ser o dobro dos diretos.
Keynes
Uma das passagens do New Deal versava sobre reduzir cargas horárias e salários, para que mais funcionários pudessem ser incluídos: o lord inglês e economista John Maynard Keynes dizia que o volume de empregos poderia ser imediatamente ampliado à mesma proporção (inversa) que jornadas de trabalho fossem reduzidas. É mais ou menos como se um camponês dividisse seu lote com outro camponês: apesar da produção de cada um não ser tanta, dá para ambos alimentarem-se.
Lucro social e blindagem ao cenário externo
De qualquer forma, existe o lucro social e, com o aumento das demandas, eleva-se a oportunidade de empreendedores darem ênfase às suas produções voltadas ao mercado interno: adaptando assim o mercado brasileiro às novas demandas. Sem se perceberem, construirão um país menos vulnerável ao cenário externo: consumindo um percentual maior de sua própria produção e produzindo um percentual maior de seu próprio consumo.
Tramitação
Ainda falta a proposta ser aprovada pelos plenários do Congresso e sancionada. Será uma boa oportunidade para quem tem boa qualificação e está à procura de emprego.
Assim, o volume de empregos no Brasil poderá crescer em uma taxa próxima a 10% nos próximos meses: quem sabe 3%, quem sabe 5%, quem sabe 7%. Sem falar nos empregos indiretos, que costumam ser o dobro dos diretos.
Keynes
Uma das passagens do New Deal versava sobre reduzir cargas horárias e salários, para que mais funcionários pudessem ser incluídos: o lord inglês e economista John Maynard Keynes dizia que o volume de empregos poderia ser imediatamente ampliado à mesma proporção (inversa) que jornadas de trabalho fossem reduzidas. É mais ou menos como se um camponês dividisse seu lote com outro camponês: apesar da produção de cada um não ser tanta, dá para ambos alimentarem-se.
Lucro social e blindagem ao cenário externo
De qualquer forma, existe o lucro social e, com o aumento das demandas, eleva-se a oportunidade de empreendedores darem ênfase às suas produções voltadas ao mercado interno: adaptando assim o mercado brasileiro às novas demandas. Sem se perceberem, construirão um país menos vulnerável ao cenário externo: consumindo um percentual maior de sua própria produção e produzindo um percentual maior de seu próprio consumo.
Tramitação
Ainda falta a proposta ser aprovada pelos plenários do Congresso e sancionada. Será uma boa oportunidade para quem tem boa qualificação e está à procura de emprego.






